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O sector da Construção e Arquitectura em Portugal

O sector da construção e arquitectura é, habitualmente, um sector que funciona como barómetro da economia em Portugal. No entanto, e contrariamente a outras, a crise que sofremos por culpa da pandemia, não afetou o sector da construção diretamente, porque não foi uma crise com origem económica.

Apesar da pandemia, a capacidade económica continuava a existir e a vontade de construir também. Surgia então o grande desafio: se a atividade da construção não é compatível com o teletrabalho, o que fazer agora?
O setor da construção e arquitetura em Portugal vinha de um percurso económico ascendente, com um mercado fervilhante, mas que não poderia suportar paragens por períodos médios ou longos de tempo.

Assim, a necessidade de sobrevivência potenciou a criatividade, e obrigou o setor a adaptar-se, criando diversos mecanismos para ultrapassar os desafios que surgiram, como a escassez de mão de obra e de materiais. O que aconteceu foi que, com a pandemia, muitas fábricas foram obrigadas a fechar e parar a sua atividade, e depois tiveram de retomar o seu trabalho por turnos, com uma capacidade produtiva reduzida, uma vez que esta é uma indústria que também não é compatível com o teletrabalho.

Mas, como é característico do povo português, à criatividade juntou-se a resiliência, e a construção assumiu-se novamente como um dos principais drivers da economia portuguesa, trazendo dinâmica e empreendedorismo ao mercado. Vários projetos de investimento, quer público quer privado, que estavam on hold, foram colocados em marcha. A par disso, a pandemia trouxe novos comportamentos e surgiram novas necessidades e áreas de negócio, potenciando o crescimento de novos sectores com destaque para os da logística e da construção de Data Centres, às quais o sector da construção precisou de dar resposta.

Também o setor dos serviços tem vindo a ser alvo de uma requalificação e reorganização, de acordo com as novas workplace strategies. O mundo corporativo atual pede resposta a conceitos como a união das pessoas, a melhoria das conexões, ou a retenção e captação de novo talento. Isto traduz-se numa maior procura e reformulação dos escritórios que fomentem diversas formas de trabalho, promovam a criatividade, a partilha e novas experiências comportamentais e de interação, competindo diretamente com o cada vez mais aliciante teletrabalho.

Perante as novas necessidades do mercado, e em plena pandemia, o sector da construção enfrentou diversos desafios: escassez de mão de obra qualificada; dificuldade em captar e reter talento; aumento do custo dos materiais e da mão de obra, ditado pela elevada procura e a escassez na oferta.

Para fazer face a estas dificuldades, o próprio mercado, e tendo em consideração tudo o que aprendemos sobre a flutuação dos preços dos materiais, precisa de se reinventar, apostando numa solução que poderá passar pela busca de novos materiais de construção, mantendo os standards de qualidade, mas com novas soluções e mais sustentáveis. Ao nível da mão de obra, o mercado precisa de se tornar mais aliciante, para a conquista de novo talento, que se quer cada vez mais especializado e com formação.

Há uma forte tendência do mercado na adoção de modelos de contratação “colaborativos”, sendo da responsabilidade do construtor garantir o preço e o prazo, assumindo eventuais prejuízos face à elevada oscilação do mercado em valores e escassez de mão de obra e materiais. Este modelo, no mercado atual em que se insere, representa um risco elevado para o sector, e promove o trabalho de equipa de parcerias com os subempreiteiros cada vez mais estreitas, para conjuntamente pensar em novas soluções e perante as atividades críticas delinear novas estratégias.

A juntar a todos estes desafios, a Guerra na Ucrânia veio aumentar ainda mais os preços dos materiais e a escassez de mão de obra, aliando a estas dificuldades a incerteza face ao futuro próximo na Europa e no mundo. O sector da construção tem hoje de se adaptar a um grande desafio, que parece ter vindo para ficar: lidar com um mercado cada vez mais volátil e incerto, muito impactado por fatores externos imponderáveis.

Por outro lado, o setor da construção é um dos setores com maior potencial para fornecer reduções significativas na sua pegada carbónica, o que pode representar uma grande oportunidade de crescimento e desenvolvimento. Este setor é, atualmente, responsável por cerca de 40% da pegada carbónica mundial, pelo que há um longo caminho a percorrer, em direcção a um sector mais sustentável. Um aspecto vital dessa mudança é a adoção de padrões mandatórios do setor, como o Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) ou a certificação BREAM, alinhados com os padrões da indústria.

Ao setor da construção cabe agora a missão de potenciar os ganhos de eficiência energética a longo prazo, por forma a reduzir os custos operacionais, e rentabilizar o investimento inicial. Para tal, é importante o recurso a materiais de construção sustentáveis, com ciclos de vida sustentáveis e com o menor impacto ambiental possível.

Paralelamente, a área da reabilitação dos espaços urbanos e dos edifícios em Portugal tem também dado origem a diversos novos projetos, que, através da integração da tecnologia e a expansão da infraestrutura digital têm potencial para transformar as nossas cidades, que são os motores de crescimento da economia global.

Uma das novidades no setor, durante estes dois últimos anos, foi o grande crescimento na construção de Data Centres. A necessidade de criar sistemas de comunicação digital mais fiáveis e rápidos potenciou este crescimento, assim como o aparecimento do novo padrão de telecomunicações 5G.

Sem dúvida que a tecnologia é uma ferramenta para tornar as nossas cidades mais inteligentes e sustentáveis, e o setor da construção e arquitetura precisa de andar, cada vez mais, de mãos dadas com os avanços tecnológicos. Numa cidade inteligente ideal tudo se interrelaciona: a iluminação e sinalização pública, os edifícios, a gestão de resíduos, as energias renováveis, … As cidades inteligentes dependem fortemente de dados, pelo que precisamos destas novas tecnologias, para acompanhar este desenvolvimento, e dar resposta ao objetivo último de uma cidade inteligente e sustentável: tornar a nossa vida mais fácil, antecipando necessidades e otimizando recursos. Para isso, investimentos consideráveis em infraestrutura são necessários nos próximos anos para tornar as nossas cidades adequadas ao futuro, cada vez mais tecnológico.

Não nos podemos esquecer que Portugal, enquanto país pertencente à comunidade europeia, se encontrava ainda longe dos seus parâmetros em termos de oferta turística, residencial, logística e de escritórios. Mas a situação tem vindo a alterar-se nos últimos anos. As condições geográficas, climatéricas e económicas, tornam Portugal num mercado bastante atrativo para o investimento estrangeiro – Portugal é um destino trendy, seguro e surge aqui a oportunidade de nos posicionarmos na Europa como um destino “verde” e de referência. É imperativo pararmos para pensar, anteciparmo-nos e delinear uma estratégia, por forma a que as nossas ações sejam conduzidas por um plano de revitalização do país, que promova a sustentabilidade e se apoie na oportunidade que temos agora de nos destacar.

Para onde caminha o setor da construção e da arquitetura? Com a pandemia, o ser humano passou a estar no centro das preocupações e da forma como pensamos e vivemos as cidades, posicionando-se agora como o protagonista. Há uma forte preocupação ligada ao seu bem-estar e à sustentabilidade de todo o universo que o rodeia.

Derivado a uma consciência ambiental maior, surgem cada vez mais novos estilos de vida e tendências comportamentais focados no bem-estar do ser humano e amigos do ambiente, que obrigam a um maior equilíbrio entre a economia e a qualidade de vida.

Há ainda um longo caminho a percorrer, quer ao nível de reabilitação do nosso País, quer ao nível da estratégia e do pensamento crítico. É importante que as cidades sejam cidades vivas, pensadas e desenhadas para quem as habita. É também mandatório que as nossas ações caminhem no sentido da sustentabilidade e da preservação do nosso mundo, reduzindo a nossa pegada de carbono. Mais do que nunca, todos os olhos estão postos neste setor potencial impulsionador na criação de soluções, comportamentos e ações, que contribuam para a construção de um mundo melhor.

 

Artigo de opinião de Joana Cid Barreto – Head of Architecture da Worx, publicado na Investment Reports, em março de 2022

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